• user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: SELECT data, created, headers, expire, serialized FROM cache_filter WHERE cid = '1:884a4b748364c6e8aa3e82a1a127ff7f' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 26.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: UPDATE cache_filter SET data = '<p>Qariovak<br />\n<img src=\"/sites/literarypreview.com/files/32119419_d1ff960ea7_0.jpg\" alt=\"Qariovak\" title=\"Qariovak\" align=\"left\" /></p>\n<p>Honestamente, nunca fui lá muito interessada em filmes com animais. Sempre associei a presença dos bichos com a falta de um enredo consistente e de atores minimamente decentes, e isso pôde ser visto por várias vezes em filmes como Beethoven e Baby, o Porquinho Atrapalhado. A última moda é inventar filmes que humanizam o animal, tornando-o personagem de influência emocional fundamental dentro da história, como é o caso de Marley &amp; Eu, que fiz questão de NÃO assistir, até por ter Jennifer Aniston como atriz. </p>\n<p>Felizmente, existem exceções. Um amigo meu me recomendou um filme de 2006, em cartaz em alguns cinemas alternativos de São Paulo e Cajamar desde semana passada, que tem um animal como personagem central da trama. Porém, o filme não é piegas nem pobre, muito pelo contrário. É rico sociologicamente e antropologicamente. Trata-se de Dear Qagmikiñooqqholjmi (Canadá, 2006), um filme bastante profícuo sobre o amor que uma pequena menina esquimó nutre por sua baleia de estimação. Graças à beleza de sua fotografia e da atuação excepcional da pequena Chloe Wootqie, a fita venceu o Festival de Cinema de Saskatoon no mesmo ano de seu lançamento.</p>\n<p>Em longuíssimos 174 minutos de filme, dirigido pelo finlandês naturalizado canadense Mika Kajiomaki, vemos a história de Qariovak (Chloe Wootqie), uma pequena garota de 11 anos criado em uma tribo inuit, localizada no norte do Canadá. Órfã de pai e dividindo um gélido iglu com sua mãe Tooteq (Irene Bedard) e seus quatro avós no subúrbio da isolada cidade de Iqaluit, Qariovak não tem amigos e seu único brinquedo é um pedaço de um petroleiro que afundou na região em 1987. Um dia, sua família saiu para a tradicional caça de baleias de Domingo, com Qariovak acompanhando. Enquanto os adultos vão para um lado, a menina segue para o cais de Qataketruk, e acaba encontrando uma baleia com uma enorme arpão fincado em sua pele.</p>\n<p><img src=\"/sites/literarypreview.com/files/orca-killer-whale_0.jpg\" alt=\"Qagmikiñooqqholjmi\" title=\"Qagmikiñooqqholjmi\" align=\"right\" /></p>\n<p>Desesperada, a menina corre e tenta, de todas as formas, retirar o arpão. Consegue. Inicia-se a parte sentimental do filme: a menina começa a visitar o cais todo dia. Começa um caso de amizade entre ela e o animal, que ganha o nome de Qagmikiñooqqholjmi. A menina passa a proteger a baleia da ameaça de navios petroleiros e caçadores em geral. Com o aquecimento global e a consequente falta crescente de alimentos para a baleia, Qariovak leva os poucos peixes que sua família armazena à sua nova amiga. Um dos momentos mais marcantes é o da briga entre Qariovak e sua família, que queria caçar justamente Qagmikiñooqqholjmi. </p>\n<p>O filme trata de outros assuntos, como o estilo de vida esquimó, as agruras de quem depende de alguns dias ensolarados para caçar e realizar outros empreendimentos, a opressão de grandes companhias petrolíferas com os povos indígenas norte-americanos e até mesmo uma reflexão existencialista de Tooteq, que sonha em ir para Vancouver tentar uma vida melhor. A trilha sonora é uma atração à parte, com a música tribal misturada com acid jazz de Louise Iñagootook, considerada uma \"Ella Fitzgerald aleutiana\". </p>\n<p>Confesso que caso o filme fosse hollywoodiano ou bollywoodiano, eu sequer me daria ao trabalho de ir ao cinema. Mas Dear Qagmikiñooqqholjmi é uma bela trama que mostra a exótica e bela cultura inuit usando como mote um belo relacionamento entre uma menina e uma baleia. O emergente cinema inuit não poderia estar melhor representado no Brasil.</p>\n', created = 1283868227, expire = 1283954627, headers = '', serialized = 0 WHERE cid = '1:884a4b748364c6e8aa3e82a1a127ff7f' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 109.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: SELECT data, created, headers, expire, serialized FROM cache_filter WHERE cid = '2:7563ede3721c6a48d9d1e4c7f2203056' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 26.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: UPDATE cache_filter SET data = '<blockquote><p>\"Ouvi, a cada manhã daquele malfadado ano, meu pai maldizer Hitler e todos os alemães. O que havia com eles? Nossos vizinhos eram alemães, mas pelo que eu me lembre não eram membros do partido. Acho que deviam ser comunistas ou algo assim, porque detestavam a idéia de fazer parte do Reich. Já uma outra família na rua de baixo, donos de um armazém, já eram simpáticos ao partido e queriam fazer parte da Alemanha.</p>\n<p>Sentado na varanda dos fundos da sua casa, o filho mais velho meu vizinho era a única pessoa que conversava comigo a respeito de política. Segundo ele, os alemães do partido queriam ser donos da terra e nos expulsar. \'Mas eu nasci aqui\', eu respondi uma vez. \'Eu também\', ele respondeu.\"</p></blockquote>\n<p><img src=\"/sites/literarypreview.com/files/300px-Anschlusstears.jpg\" alt=\"Anschluss\" align=\"right\" /></p>\n<p>O livro \"<em>Varandas</em>\", de Zyklon Brolánek, conta as memórias da ocupação alemã ao sudetos tchecos durante o período de 1938-9, do ponto de vista da varanda da casa da família Brolánek, na vila de Kübeckhaus, nos Sudetos. Um menino tcheco assistindo e tentando entender, na companhia de um jovem alemão também nascido nos sudetos.</p>\n<p>Esse livro traz os momentos antes do conflito, o clima de suspensão no ar. Não é uma história sobre a Segunda Guerra, como tantas outras que já foram escritas, mas um livro sobre um evento anterior, comumente esquecido. Uma guerra sem tiros, sem combates. Uma história de fatos consumados e tragédias inevitáveis. Uma guerra em que franceses e ingleses não eram os heróis libertadores, eram apenas diplomatas assustados aceitando qualquer exigência feita pelos nazistas.</p>\n<p>O menino Brolánek viu o seu país ser gradualmente desmontado ante a um império ávido em expansão. Da perspectiva de um garoto, de uma perspectiva menos política e mais provinciana: é um livro sobre como aquela quase-guerra afetou a vida de alguém morando numa, digamos, quase-cidade no meio do caminho do Reich.</p>\n<p>Zyklon Brolánek<br />\n<img src=\"/sites/literarypreview.com/files/Jozef_Lenart.jpg\" alt=\"Zyklon Brolánek\" title=\"Zyklon Brolánek\" align=\"left\" /></p>\n<p>O interessante do livro é que não há qualquer menção à Segunda Guerra. É o oposto do anacronismo, é fixado num determinado período, simplesmente e nada mais. A história termina em 2 de outubro de 1938, quando pela manhã os moradores de Kübeckhaus recebem a notícia que os sudetos tinham sido definitivamente anexados.</p>\n<p>200 páginas, editado pela Editora Garamond, a competente tradução do tcheco para português é de Weng Xin Hua (não pergunte).</p>\n', created = 1283868227, expire = 1283954627, headers = '', serialized = 0 WHERE cid = '2:7563ede3721c6a48d9d1e4c7f2203056' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 109.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: SELECT data, created, headers, expire, serialized FROM cache_filter WHERE cid = '1:5908f912ac03350f41199c9651a25207' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 26.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: UPDATE cache_filter SET data = '<p>(<em>eu sei, eu sei, a Carolina vai passar os próximos dois meses sem falar comigo...</em>)</p>\n<p><img src=\"/sites/literarypreview.com/files/anne_pitchford.jpg\" alt=\"Anne Pitchford\" title=\"Anne Pitchford\" align=\"right\" />Uma das coisas mais notáveis na música é a aparência. Já vimos de tudo, dos cabelos coloridos lotados de laquê dos notáveis do new wave oitentista até a indumentária cuidadosamente desleixada dos alternativos da nossa década atual. Em muitos casos, a identidade visual se torna até mais importante do que a música (e isso vem ocorrendo com frequencia...).</p>\n<p>Um dos estereótipos mais adotados é o da cantora jovem, bonita, descolada, livre-pensadora, feminista, excêntrica e insuportável. Inspiradas por modelos de personalidade como Kate Moss, PJ Harvey, Tori Amos e Amélie Poulain, essas cantoras podem não entender muita coisa a respeito de música decente, mas são mestres em imagem. Depois de Regina Spektor, Kate Nash e Mallu Magalhães, temos Anne Pitchford.</p>\n<p>À primeira vista, o leitor pode pensar que se trata de mais uma inglesinha pronta para fazer música folk à la Bob Dylan. Engano. Anne Pitchford, na verdade, é o pseudônimo de uma samarinesa de 21 anos chamada Giovanna Piccione. Giovanna virou Anne quando mudou-se com a família, aos 8 anos, para Brighton, pequena cidade inglesa com uma certa tradição musical. Passava o tempo livre ouvindo Beatles, Johnny Cash e Haydn enquanto pichava as paredes de casa com tinta guache. Aos 12 anos, foi detida pichando a prefeitura da cidade.</p>\n<p>Aos 14, pediu ao pai, um corretor de imóveis, um violão igual ao de Johnny Cash. Cada vez mais musical, cada vez mais pseudointelectual, cada vez mais chata, escreveu sua primeira música aos 15 anos, \"The Scary Birds of the Edward Street\", em referência aos corvos que habitavam a rua onde morava. Começou a ler Byron e Edgar Allan Poe e se tornou uma menina melancólica e triste. Suas músicas, sempre em inglês, transmitiam esta angústia. Giovanna virou Anne. Para ela, \"o melhor país do mundo é a grande Inglaterra. A Itália (e San Marino, obviamente) é encardida, suja e pouco honesta\". </p>\n<p>Aos 17, já usava uma enorme franja na testa e a pele escurecida deu lugar a um assustador branco fantasmagórico. Ao mesmo tempo, a outrora infantil e chata Giovanna deu lugar a uma pretensa amadurecida e chata Anne, de bela voz e músicas aborrecidas. Anne começou a tocar em bares e foi descoberta por um empresário, dono de um pequeno selo alternativo. Começa aí a história do primeiro CD de Anne, \"Crying My Heart Out For a Guilty\" (US$ 19,90, Moneyless Records). </p>\n<p>No final do ano passado, Anne foi chamada para gravar um CD. Para isso, compôs 15 novas músicas, todas elas com uma única temática: um amor platônico nutrido por ela direcionado a um assassino chamado James Baker, morto em 1942. A primeira música do CD \"Why Are You dead?\" é um hino de 11 minutos com apenas um refrão: \"Why did you leave me alone?\"</p>\n<p>A situação não melhora muito. A maior parte das músicas dura cerca de 9 minutos, muitas delas apenas com piano e violão, o que confere uma aura tão intimista quando deprimente à obra. Em \"I born on the wrong period on the wrong city\", Anne soluça. Em \"Lonely alone\", ela chega a chorar. Em \"Take me off this body\", gritos. Em \"James Baker\", sons de tiros. </p>\n<p>Os pais não entendem o que aconteceu para ela chegar a esse ponto. Anne pode se pintar de preto e se descabelar e se colocar como a mais tristonha de todas as moças. Porém, não passa de uma criança mimada que quer ser uma mistura de Charles Manson com Amy Winehouse. Infelizmente, consegue.</p>\n', created = 1283868227, expire = 1283954627, headers = '', serialized = 0 WHERE cid = '1:5908f912ac03350f41199c9651a25207' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 109.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: SELECT data, created, headers, expire, serialized FROM cache_filter WHERE cid = '1:9f1c2c1c6cc2ed7aa4fdf2ebf07480ac' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 26.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: UPDATE cache_filter SET data = '<p>O trabalho da socióloga Roberta Prado, <em>A Cultura Reempacotada: uma análise micro-sociológica da proselitização sócio-ideológica</em> (2005), trouxe uma nova perspectiva para o fenômeno da proselitização sócio-ideológica da cultura nacional.</p>\n<p>Alargando os horizontes oferecidos pela teoria de análise de Dinâmicas Ideológico-Culturais, apresentada originalmente por Jorge de Carvalho Ribeiro em <em>Análise de Dinâmicas Ideológico-Culturais</em> (1993), Roberta Prado mescla a teoria da micro-sociologia de Peter Wayburn para criar uma argumentação incisiva sobre as novas idiossincrasias abssessivas recorrentes na discussões sobre o meio cultural nacional.</p>\n<p>De fato, uma obra essencial para mim e todos meus colegas desta revista empenhados no escrutínio da produção criativa mundial e recomendável também a nossos leitores.</p>\n', created = 1283868227, expire = 1283954627, headers = '', serialized = 0 WHERE cid = '1:9f1c2c1c6cc2ed7aa4fdf2ebf07480ac' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 109.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: SELECT data, created, headers, expire, serialized FROM cache_filter WHERE cid = '1:7da17c57b53a68b9e4b6a9862a5e797c' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 26.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: UPDATE cache_filter SET data = '<p>De uns tempos para cá, virou moda falar mal de tudo: do governo, do Lula, da política, da seleção brasileira, da <em>crise</em>, da música popular brasileira, da televisão, do vizinho, da televisão do vizinho, enfim, de qualquer coisa. Falar mal com toda a propriedade, como se se fosse o maior expert no assunto, e com uma (enorme) pitada de sarcasmo. O mais interessante é que alguns indivíduos descobriram que, além de divertido, é altamente lucrativo falar mal de tudo. O inesquecível novaiorquino de rincão Paulo Francis inaugurou o filão no Brasil, deixando como herdeiros Diogo Mainardi, Nelson Motta e Tutty Vasques. </p>\n<p>Como se vê, a qualidade tende a cair conforme o tempo avança.</p>\n<p>Decididamente, isso vale também para o novo <em>crítico de qualquer coisa</em> do momento, o jornalista Marcelo Bonfante, autor do livro <em>Raiva</em> (1423 páginas, pela Editora Sinestesia). Dono do blog <a href=\"http://canalhice.com\">Cefaléia Verde</a>, um dos mais badalados da blogosfera atualmente, Bonfante é um franco-atirados, desferindo contra tudo e contra todos com sua língua e seu veneno, maculando reputações e despertando a ira de pessoas e empresas. Tem cerca de 150 processos em andamento e diz que escreveu o livro exatamente para \"pagar os advogados que são aborrecidos com telegramas de três em três dias\".</p>\n<p><em>Raiva</em> é uma enciclopédia da crítica. Em pouco mais de 1400 páginas, Bonfante consegue a proeza de criticar tudo sobre o que sabe a respeito, do Corinthians à Nokia, do funcionalismo público à Luma de Oliveira. O estilo de seu livro é peculiar: cada capítulo representa um determinado tema, como \"Política\" ou \"Cultura\". Alguns assuntos específicos acabam por merecer um capítulo próprio, como \"Lula\" ou \"Campinas\", sua cidade natal.</p>\n<p>Dentro de cada capítulo, vários textos pequenos chamados pelo autor de \"sketches\". Os sketches são crônicas ou simplesmente pequenos parágrafos a respeito de alguma coisa relacionada com o tema principal. Um deles, por exemplo, trata sobre o chocolate brasileiro. \"Não como chocolate feito aqui há 8 anos. Se quero comer algo com textura honesta, sabor parecido com o de cacau e nenhuma gordura hidrogenada, arranjo um pouco de lama pantaneira e jogo achocolatado em cima\".</p>\n<p>Praticando algo que remete o jornalismo gonzo de Hunter Thompson, Marcelo Bonfante se coloca como personagem de seus sketches em vários momentos de Raiva, muitas vezes como vítima. É difícil entender a sua postura. Oriundo de uma família de classe média de Campinas, cidade a qual detesta visceralmente, Bonfante nunca teve grandes dificuldades na vida. Trancou o curso de Engenharia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC) para se mudar para São Paulo e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, onde cursou Jornalismo na UFRJ. Além do blog, aberto em 2007, trabalha como colunista do Diário de Nova Friburgo.</p>\n<p>Em um dos sketches, diz que \"fala mal de tudo porque, por mais impressionante que pareça, ninguém faz isso no Brasil. O brasileiro possui o senso crítico de um pé de acerola, com a desvantagem de seus frutos não renderem tanta vitamina C. É um povo que precisa de um estímulo para observar como tudo está errado dentro e fora de sua casa\".</p>\n<p>Porém, as críticas não se restringem apenas ao Brasil. Em um dos sketches, reclama do hino francês. \"Como é que um país com a história que possui se orgulha de um hino tão caudilhesco, tão militaresco? A impressão é que, com trechos como \'aux armes, citoyens!\', o cidadão médio de Auxerre seria obrigado a pegar em uma AK-47 no melhor estilo vietcongue\". E aí se revela um dos defeitos do livro, sua imprecisão e incoerência. \"14 estrofes do país do lábaro que ostentas estrelado e do analfabetismo funcional de 31,6% é algo meio anacrônico para uma pessoa disléxica como eu. Deveríamos aprender com a Marselhesa francesa, de poucas e diretas palavras. Ao invés do som do mar e da luz do céu profundo, bandeiras, armas e sangue em 7 estrofes e um refrão quase conclamatório\".</p>\n<p>Raiva não é um livro sério. Bonfante, que assume (com muita razão) ser inculto, não saber escrever e gostar de uma polêmica, não pretende salvar o país. A diversão dele é unicamente falar mal de tudo o que for possível, de uma maneira que beira a maldade pura e simples. Ele não justifica e sabe que não tem motivos para tanto ódio. Seu único objetivo é revisitar suas angústias e frustrações de uma maneira patética.</p>\n<p>E lucrativa.</p>\n', created = 1283868227, expire = 1283954627, headers = '', serialized = 0 WHERE cid = '1:7da17c57b53a68b9e4b6a9862a5e797c' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 109.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: SELECT data, created, headers, expire, serialized FROM cache_filter WHERE cid = '1:d224e747c18b205beedaa70c610a675a' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 26.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: UPDATE cache_filter SET data = '<p><strong>Literary Preview</strong> é uma revista de literatura, arte e cultura, dedicada a resenhar obras que nunca foram escritas, compostas, publicadas ou pintadas. Não as chamemos de obras fictícias - são muito reais. Ou seriam, se alguém se desse ao trabalho de compô-las.<br />\n<a href=\"/literary-preview\">Saiba mais</a></p>\n', created = 1283868227, expire = 1283954627, headers = '', serialized = 0 WHERE cid = '1:d224e747c18b205beedaa70c610a675a' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 109.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: SELECT data, created, headers, expire, serialized FROM cache_filter WHERE cid = '2:d40e5f335714f5a0015fb4dc3f668be3' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 26.
  • user warning: Table './literarypreview/cache_filter' is marked as crashed and should be repaired query: UPDATE cache_filter SET data = '<p><a href=\"http://feeds2.feedburner.com/LiteraryPreview\" title=\"Assinar feed\" rel=\"alternate\" type=\"application/rss+xml\"><img src=\"http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png\" alt=\"\" style=\"border:0;vertical-align:middle\" /></a><a href=\"http://feeds2.feedburner.com/LiteraryPreview\" title=\"Assinar feed\" rel=\"alternate\" type=\"application/rss+xml\">Assine o Feed RSS</a></p>\n', created = 1283868227, expire = 1283954627, headers = '', serialized = 0 WHERE cid = '2:d40e5f335714f5a0015fb4dc3f668be3' in /srv/resources/drupal-6.9/includes/cache.inc on line 109.

Dear Qagmikiñooqqholjmi

por Carolina Souza Andrada
em:

Qariovak
Qariovak

Honestamente, nunca fui lá muito interessada em filmes com animais. Sempre associei a presença dos bichos com a falta de um enredo consistente e de atores minimamente decentes, e isso pôde ser visto por várias vezes em filmes como Beethoven e Baby, o Porquinho Atrapalhado. A última moda é inventar filmes que humanizam o animal, tornando-o personagem de influência emocional fundamental dentro da história, como é o caso de Marley & Eu, que fiz questão de NÃO assistir, até por ter Jennifer Aniston como atriz.

Felizmente, existem exceções. Um amigo meu me recomendou um filme de 2006, em cartaz em alguns cinemas alternativos de São Paulo e Cajamar desde semana passada, que tem um animal como personagem central da trama. Porém, o filme não é piegas nem pobre, muito pelo contrário. É rico sociologicamente e antropologicamente. Trata-se de Dear Qagmikiñooqqholjmi (Canadá, 2006), um filme bastante profícuo sobre o amor que uma pequena menina esquimó nutre por sua baleia de estimação. Graças à beleza de sua fotografia e da atuação excepcional da pequena Chloe Wootqie, a fita venceu o Festival de Cinema de Saskatoon no mesmo ano de seu lançamento.

Em longuíssimos 174 minutos de filme, dirigido pelo finlandês naturalizado canadense Mika Kajiomaki, vemos a história de Qariovak (Chloe Wootqie), uma pequena garota de 11 anos criado em uma tribo inuit, localizada no norte do Canadá. Órfã de pai e dividindo um gélido iglu com sua mãe Tooteq (Irene Bedard) e seus quatro avós no subúrbio da isolada cidade de Iqaluit, Qariovak não tem amigos e seu único brinquedo é um pedaço de um petroleiro que afundou na região em 1987. Um dia, sua família saiu para a tradicional caça de baleias de Domingo, com Qariovak acompanhando. Enquanto os adultos vão para um lado, a menina segue para o cais de Qataketruk, e acaba encontrando uma baleia com uma enorme arpão fincado em sua pele.

Qagmikiñooqqholjmi

Desesperada, a menina corre e tenta, de todas as formas, retirar o arpão. Consegue. Inicia-se a parte sentimental do filme: a menina começa a visitar o cais todo dia. Começa um caso de amizade entre ela e o animal, que ganha o nome de Qagmikiñooqqholjmi. A menina passa a proteger a baleia da ameaça de navios petroleiros e caçadores em geral. Com o aquecimento global e a consequente falta crescente de alimentos para a baleia, Qariovak leva os poucos peixes que sua família armazena à sua nova amiga. Um dos momentos mais marcantes é o da briga entre Qariovak e sua família, que queria caçar justamente Qagmikiñooqqholjmi.

O filme trata de outros assuntos, como o estilo de vida esquimó, as agruras de quem depende de alguns dias ensolarados para caçar e realizar outros empreendimentos, a opressão de grandes companhias petrolíferas com os povos indígenas norte-americanos e até mesmo uma reflexão existencialista de Tooteq, que sonha em ir para Vancouver tentar uma vida melhor. A trilha sonora é uma atração à parte, com a música tribal misturada com acid jazz de Louise Iñagootook, considerada uma "Ella Fitzgerald aleutiana".

Confesso que caso o filme fosse hollywoodiano ou bollywoodiano, eu sequer me daria ao trabalho de ir ao cinema. Mas Dear Qagmikiñooqqholjmi é uma bela trama que mostra a exótica e bela cultura inuit usando como mote um belo relacionamento entre uma menina e uma baleia. O emergente cinema inuit não poderia estar melhor representado no Brasil.

1938 para um menino tcheco

por Eliezer Guerra
em:

"Ouvi, a cada manhã daquele malfadado ano, meu pai maldizer Hitler e todos os alemães. O que havia com eles? Nossos vizinhos eram alemães, mas pelo que eu me lembre não eram membros do partido. Acho que deviam ser comunistas ou algo assim, porque detestavam a idéia de fazer parte do Reich. Já uma outra família na rua de baixo, donos de um armazém, já eram simpáticos ao partido e queriam fazer parte da Alemanha.

Sentado na varanda dos fundos da sua casa, o filho mais velho meu vizinho era a única pessoa que conversava comigo a respeito de política. Segundo ele, os alemães do partido queriam ser donos da terra e nos expulsar. 'Mas eu nasci aqui', eu respondi uma vez. 'Eu também', ele respondeu."

Anschluss

O livro "Varandas", de Zyklon Brolánek, conta as memórias da ocupação alemã ao sudetos tchecos durante o período de 1938-9, do ponto de vista da varanda da casa da família Brolánek, na vila de Kübeckhaus, nos Sudetos. Um menino tcheco assistindo e tentando entender, na companhia de um jovem alemão também nascido nos sudetos.

Esse livro traz os momentos antes do conflito, o clima de suspensão no ar. Não é uma história sobre a Segunda Guerra, como tantas outras que já foram escritas, mas um livro sobre um evento anterior, comumente esquecido. Uma guerra sem tiros, sem combates. Uma história de fatos consumados e tragédias inevitáveis. Uma guerra em que franceses e ingleses não eram os heróis libertadores, eram apenas diplomatas assustados aceitando qualquer exigência feita pelos nazistas.

O menino Brolánek viu o seu país ser gradualmente desmontado ante a um império ávido em expansão. Da perspectiva de um garoto, de uma perspectiva menos política e mais provinciana: é um livro sobre como aquela quase-guerra afetou a vida de alguém morando numa, digamos, quase-cidade no meio do caminho do Reich.

Zyklon Brolánek
Zyklon Brolánek

O interessante do livro é que não há qualquer menção à Segunda Guerra. É o oposto do anacronismo, é fixado num determinado período, simplesmente e nada mais. A história termina em 2 de outubro de 1938, quando pela manhã os moradores de Kübeckhaus recebem a notícia que os sudetos tinham sido definitivamente anexados.

200 páginas, editado pela Editora Garamond, a competente tradução do tcheco para português é de Weng Xin Hua (não pergunte).

Anne Pitchford - Crying My Heart Out For a Guilty

por Rogério Zarachinni
em:

(eu sei, eu sei, a Carolina vai passar os próximos dois meses sem falar comigo...)

Anne PitchfordUma das coisas mais notáveis na música é a aparência. Já vimos de tudo, dos cabelos coloridos lotados de laquê dos notáveis do new wave oitentista até a indumentária cuidadosamente desleixada dos alternativos da nossa década atual. Em muitos casos, a identidade visual se torna até mais importante do que a música (e isso vem ocorrendo com frequencia...).

Um dos estereótipos mais adotados é o da cantora jovem, bonita, descolada, livre-pensadora, feminista, excêntrica e insuportável. Inspiradas por modelos de personalidade como Kate Moss, PJ Harvey, Tori Amos e Amélie Poulain, essas cantoras podem não entender muita coisa a respeito de música decente, mas são mestres em imagem. Depois de Regina Spektor, Kate Nash e Mallu Magalhães, temos Anne Pitchford.

À primeira vista, o leitor pode pensar que se trata de mais uma inglesinha pronta para fazer música folk à la Bob Dylan. Engano. Anne Pitchford, na verdade, é o pseudônimo de uma samarinesa de 21 anos chamada Giovanna Piccione. Giovanna virou Anne quando mudou-se com a família, aos 8 anos, para Brighton, pequena cidade inglesa com uma certa tradição musical. Passava o tempo livre ouvindo Beatles, Johnny Cash e Haydn enquanto pichava as paredes de casa com tinta guache. Aos 12 anos, foi detida pichando a prefeitura da cidade.

Aos 14, pediu ao pai, um corretor de imóveis, um violão igual ao de Johnny Cash. Cada vez mais musical, cada vez mais pseudointelectual, cada vez mais chata, escreveu sua primeira música aos 15 anos, "The Scary Birds of the Edward Street", em referência aos corvos que habitavam a rua onde morava. Começou a ler Byron e Edgar Allan Poe e se tornou uma menina melancólica e triste. Suas músicas, sempre em inglês, transmitiam esta angústia. Giovanna virou Anne. Para ela, "o melhor país do mundo é a grande Inglaterra. A Itália (e San Marino, obviamente) é encardida, suja e pouco honesta".

Aos 17, já usava uma enorme franja na testa e a pele escurecida deu lugar a um assustador branco fantasmagórico. Ao mesmo tempo, a outrora infantil e chata Giovanna deu lugar a uma pretensa amadurecida e chata Anne, de bela voz e músicas aborrecidas. Anne começou a tocar em bares e foi descoberta por um empresário, dono de um pequeno selo alternativo. Começa aí a história do primeiro CD de Anne, "Crying My Heart Out For a Guilty" (US$ 19,90, Moneyless Records).

No final do ano passado, Anne foi chamada para gravar um CD. Para isso, compôs 15 novas músicas, todas elas com uma única temática: um amor platônico nutrido por ela direcionado a um assassino chamado James Baker, morto em 1942. A primeira música do CD "Why Are You dead?" é um hino de 11 minutos com apenas um refrão: "Why did you leave me alone?"

A situação não melhora muito. A maior parte das músicas dura cerca de 9 minutos, muitas delas apenas com piano e violão, o que confere uma aura tão intimista quando deprimente à obra. Em "I born on the wrong period on the wrong city", Anne soluça. Em "Lonely alone", ela chega a chorar. Em "Take me off this body", gritos. Em "James Baker", sons de tiros.

Os pais não entendem o que aconteceu para ela chegar a esse ponto. Anne pode se pintar de preto e se descabelar e se colocar como a mais tristonha de todas as moças. Porém, não passa de uma criança mimada que quer ser uma mistura de Charles Manson com Amy Winehouse. Infelizmente, consegue.

Cadernos de Sociologia

por Carlos Yong
em:

O trabalho da socióloga Roberta Prado, A Cultura Reempacotada: uma análise micro-sociológica da proselitização sócio-ideológica (2005), trouxe uma nova perspectiva para o fenômeno da proselitização sócio-ideológica da cultura nacional.

Alargando os horizontes oferecidos pela teoria de análise de Dinâmicas Ideológico-Culturais, apresentada originalmente por Jorge de Carvalho Ribeiro em Análise de Dinâmicas Ideológico-Culturais (1993), Roberta Prado mescla a teoria da micro-sociologia de Peter Wayburn para criar uma argumentação incisiva sobre as novas idiossincrasias abssessivas recorrentes na discussões sobre o meio cultural nacional.

De fato, uma obra essencial para mim e todos meus colegas desta revista empenhados no escrutínio da produção criativa mundial e recomendável também a nossos leitores.

Todos os resmungos do mundo

por Rogério Zarachinni
em:

De uns tempos para cá, virou moda falar mal de tudo: do governo, do Lula, da política, da seleção brasileira, da crise, da música popular brasileira, da televisão, do vizinho, da televisão do vizinho, enfim, de qualquer coisa. Falar mal com toda a propriedade, como se se fosse o maior expert no assunto, e com uma (enorme) pitada de sarcasmo. O mais interessante é que alguns indivíduos descobriram que, além de divertido, é altamente lucrativo falar mal de tudo. O inesquecível novaiorquino de rincão Paulo Francis inaugurou o filão no Brasil, deixando como herdeiros Diogo Mainardi, Nelson Motta e Tutty Vasques.

Como se vê, a qualidade tende a cair conforme o tempo avança.

Decididamente, isso vale também para o novo crítico de qualquer coisa do momento, o jornalista Marcelo Bonfante, autor do livro Raiva (1423 páginas, pela Editora Sinestesia). Dono do blog Cefaléia Verde, um dos mais badalados da blogosfera atualmente, Bonfante é um franco-atirados, desferindo contra tudo e contra todos com sua língua e seu veneno, maculando reputações e despertando a ira de pessoas e empresas. Tem cerca de 150 processos em andamento e diz que escreveu o livro exatamente para "pagar os advogados que são aborrecidos com telegramas de três em três dias".

Raiva é uma enciclopédia da crítica. Em pouco mais de 1400 páginas, Bonfante consegue a proeza de criticar tudo sobre o que sabe a respeito, do Corinthians à Nokia, do funcionalismo público à Luma de Oliveira. O estilo de seu livro é peculiar: cada capítulo representa um determinado tema, como "Política" ou "Cultura". Alguns assuntos específicos acabam por merecer um capítulo próprio, como "Lula" ou "Campinas", sua cidade natal.

Dentro de cada capítulo, vários textos pequenos chamados pelo autor de "sketches". Os sketches são crônicas ou simplesmente pequenos parágrafos a respeito de alguma coisa relacionada com o tema principal. Um deles, por exemplo, trata sobre o chocolate brasileiro. "Não como chocolate feito aqui há 8 anos. Se quero comer algo com textura honesta, sabor parecido com o de cacau e nenhuma gordura hidrogenada, arranjo um pouco de lama pantaneira e jogo achocolatado em cima".

Praticando algo que remete o jornalismo gonzo de Hunter Thompson, Marcelo Bonfante se coloca como personagem de seus sketches em vários momentos de Raiva, muitas vezes como vítima. É difícil entender a sua postura. Oriundo de uma família de classe média de Campinas, cidade a qual detesta visceralmente, Bonfante nunca teve grandes dificuldades na vida. Trancou o curso de Engenharia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC) para se mudar para São Paulo e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, onde cursou Jornalismo na UFRJ. Além do blog, aberto em 2007, trabalha como colunista do Diário de Nova Friburgo.

Em um dos sketches, diz que "fala mal de tudo porque, por mais impressionante que pareça, ninguém faz isso no Brasil. O brasileiro possui o senso crítico de um pé de acerola, com a desvantagem de seus frutos não renderem tanta vitamina C. É um povo que precisa de um estímulo para observar como tudo está errado dentro e fora de sua casa".

Porém, as críticas não se restringem apenas ao Brasil. Em um dos sketches, reclama do hino francês. "Como é que um país com a história que possui se orgulha de um hino tão caudilhesco, tão militaresco? A impressão é que, com trechos como 'aux armes, citoyens!', o cidadão médio de Auxerre seria obrigado a pegar em uma AK-47 no melhor estilo vietcongue". E aí se revela um dos defeitos do livro, sua imprecisão e incoerência. "14 estrofes do país do lábaro que ostentas estrelado e do analfabetismo funcional de 31,6% é algo meio anacrônico para uma pessoa disléxica como eu. Deveríamos aprender com a Marselhesa francesa, de poucas e diretas palavras. Ao invés do som do mar e da luz do céu profundo, bandeiras, armas e sangue em 7 estrofes e um refrão quase conclamatório".

Raiva não é um livro sério. Bonfante, que assume (com muita razão) ser inculto, não saber escrever e gostar de uma polêmica, não pretende salvar o país. A diversão dele é unicamente falar mal de tudo o que for possível, de uma maneira que beira a maldade pura e simples. Ele não justifica e sabe que não tem motivos para tanto ódio. Seu único objetivo é revisitar suas angústias e frustrações de uma maneira patética.

E lucrativa.

Divulgar conteúdo