Aproveitando que Eliezer Guerra trouxe a tona os policiais de Patrus Ananneus, venho aqui fazer uma justa reverência ao profílico trabalho da grande escritora de policiais inglesa, Vicky Ardeen. Hoje com 83 anos, Vicky Ardeen tem nas costas 73 livros de mistério publicados. Todos com mais ou menos a mesma história, é fato, mas extremamente cativantes.

A escritora inglesa Vicky Ardeen
Vicky Ardeen nasceu em Sussex em 1926, em uma família de classe média. Aos vinte e cinco anos, no pós-guerra e no auge do sucesso de autores policiais como Agatha Christie, Anthony Cox e Ariadne Oliver, publicou seu primeiro livro, Mistério à Meia Noite e Cinco. Um pequeno sucesso para uma autora iniciante, foi o suficiente para lhe dar gás para escrever tantos outros livros ainda na década de 50, como Nata do Crime, A Segunda Morte se dá na Terceira Badalada do Relógio e Assassinato!. Nesse primeiro momento, Vicky Ardeen cria dois dos personagens que lhe farão famosa: o detetive amador Lucius "Newt" Burnham (do Mistério à Meia Noite e Cinco) e a espiã do MI5 britânico, Penny Waterhouse (de A Sibéria vem até nós).
Na entrada dos anos 1960, Vicky Ardeen aprofunda-se no que lhe faria famosa: tramas extremamente complexas e aparentemente absurdas/surrealistas à primeira vista (embora com uma solução bastante clara no final do livro). Dentre os livros de destaque dessa fase, temos A Morte veste Rosa-Choque (Newt Burnham começa a investigar a morte de um maçom enforcado com um cachecol rosa-choque), O Assassinato do Cérebro Eletrônico (com Penny Waterhouse, sobre a sabotagem de um megacomputador inglês), A Noviça Rebelde (com Julie Andrews) e, principalmente, Quem Matou Maureen Fordman (Maureen Fordman chega em Londres depois de uma viagem e descobre que sua melhor amiga foi presa por... seu assassinato, com testemunhas).
Entrando na década de 70, o tom muda, para algo mais sanguinolento, embora com a mesma propensão a tramas complexas. Temos obras como Crime e Castigo (Rodion Raskolnikov assassina uma dona de uma loja de penhores em Londres) e novos personagens, como Mark e Jules Liszt, um casal de trinta anos com uma agência particular, apresentados em livros como O Crime Em Londres (apresentando a solução para o assassinato no começo do livro, não fosse pela falta de uma morte) e A Morte sobre o Tâmisa.
Por volta dos anos 80, Vicky volta ao estilo mais clássico de livros policiais. Publica nesse momento O Assassinato à Espreita e Ciprestes Sempre Verdes. Assim permanece até 1994, quando anuncia sua aposentadoria após publicar o livro Peter Carraro. Ainda faz um comeback em 1999 com As 200 mortes de Vicky Ardeen, edição comemorativa, republicando contos antigos. Em 2002, volta a escrever, ainda que em ritmo mais espaçado, publicando Venenos, uma série de contos inéditos sobre venenos, A Morte de Newt (2005, assassinando seu principal personagem, com um infarto, e tratando de criar um assassinato no velório). Pretende lançar ao final de 2009 ainda mais um livro, retomando o personagem pouco lembrado Peter Cartwright.
Retomarei o assunto em breve, trazendo trechos marcantes da obra de Vicky. Até lá!