A Maior Sinfonia do Mundo

por Carolina Souza Andrada
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O compositor geórgio Vizhanev Parovosky viveu o auge da Revolução na Rússia. Apoiou a queda do czar e lutou subsequentemente do lado dos bolcheviques. Fiel ao novo governo, tinha trânsito fácil nas altas cúpulas e era estimado pelos seus pares. Foi diretor do conservatório de Moscou durante anos a fio.

Músico competente, embora não a altura de contemporâneos como Shostakovich ou Ippolitov-Ivanov, especializou-se em projetos magnânimos de grande porte, como hinos, sinfonias gigantescas, concertos ao ar livre. O resultado, diziam os críticos da época, era bom.

Mas no final da sua vida, sua condição degenerou-se. Em 1941, fugindo da guerra em Moscou, refugiou-se na cidade de Chelyabinsk, nos montes Urais, que estava sendo alvo de um gigantesco processo de industrialização militarizada. Logo após chegar na cidade, Parovosky sucumbiu à doença, agravando um quadro previamente latente de distúrbios mentais. Somando-se isso à mega-industrialização a níveis soviéticos, Parovosky acabou entrando num estado de megalomania delirante. Viveu por mais dez meses, durante os quais compôs freneticamente os três primeiros movimentos da sua Oitava Sinfonia, A Maior Sinfonia do Mundo.

A Oitava Sinfonia em Mi Sustenido é uma megalomania patológica. Durando por volta de sete horas, foi escrita para ser tocada por doze orquestras simultaneamente, acompanhadas por um coral de dezessete mil pessoas. Parovosky vislumbrava lotar um estádio com músicos e cantores, eliminando a distinção entre a platéia e os artistas. As notas pessoais do compositor indicam que ele planejava para o quarto movimento dividir o coral em trezentas e cinquenta vozes dissonantes, tocando em contraponto com cada uma das orquestras. A música seria ouvida a quilómetros de distância. (e os engenheiros estruturais teriam certamente uma dor-de-cabeça para manter o estádio em pé)

Versões ultra-simplificadas da Oitava Sinfonia foram tocadas até alguns anos após a morte de Parovosky. Hoje em dia, apenas um tema do Primeiro Movimento "Os Urais da Grande Rússia" mantém-se no repertório do Conservatório de Moscou e muito raramente aparece em alguma rádio de música clássica.

Em 2001, o grupo inglês Candlebrook iniciou um projeto para reproduzir a Maior Sinfonia, gravando aos poucos pequenos grupos e mixando as faixas para chegar ao resultado final. O projeto, quase tão megalomaníco quanto a obra original, foi interrompido várias vezes durante os últimos anos. Um lançamento do Primeiro movimento deverá ser feito ao final deste ano ou pelo começo de 2010. O Segundo e Terceiro movimentos devem ser lançados até 2013.

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